O rei do comércio
Havia um reino encantado, infestado por comerciantes capitalista que se excitavam em apenas sentir o cheiro do dinheiro. Estes comerciantes procurando um meio de se unirem, fizeram uma associação, a qual chamaram de “associação comercial”. E colocaram como presidente desta associação o comerciante mais capitalista e rico do reino encantado, e claro, o mais egoísta também. Quando os fregueses chegavam no reino para fazer suas ‘comprinhas’ o presidente da associação, sabiamente os acolhia em seu suntuoso estabelecimento comercial, onde os fregueses podiam estacionar suas charretes e carroças e prestigiar com mais conforto as ofertas do comércio do presidente. Eu não queria dizer, mas o presidente da “associação comercial”, trancava os fregueses em seu estabelecimento não permitindo que eles prestigiassem os outros estabelecimentos comerciais. Todos os não-comerciantes estavam vendo que o presidente estava sendo desleal com os associados. Mas os associados não reagiam, não pediam esclarecimentos ao presidente. Um dia um não-comerciante perguntou ao comerciante associado: “Porque vocês permitem uma pouca vergonha dessa que o presidente está fazendo”, no que o comerciante associado respondeu: “Ora bolas, o que podemos fazer? Ele é o presidente e tem até dois corações”.
Patrimônio histórico é estorvo
As pessoas que são favoráveis ao asfaltamento das ruas em volta da Estação Ferroviária e da Avenida Sen. Luis Lisboa tem argumentos tão bons, tão sensatos que eu não sei porque tem gente contra. Veja os argumentos sérios e convincentes daqueles que são favoráveis ao asfalto:
1. Os paralelepípedos estragam o carro, estragam o amortecedor, acabam com os pneus. A história, a memória de Jacutinga não paga o conserto do carro.
2. A outra administração já asfaltou as ruas que eram históricas, então pra que preservar o resto? Aqui em Jacutinga é tudo ou nada, ou deixa todas com pedras ou asfalta todas.
3. O turista gosta do asfalto, turista consegue ver beleza no breu do petróleo, não tem coisa melhor para o turista do que o mormaço que o asfalto faz, o turista é que nem motoqueiro, gosta do cheiro do pneu queimado pelo asfalto.
4. Asfalto é progresso, é emprego, é economia, é a engrenagem que faz girar o comércio, sem o asfalto os empregos acabam, a economia congela e o comércio perde a sua principal engrenagem, que é o asfalto.
5. Este sem dúvida é o argumento que vale por todos os outros quatro, o melhor argumento de todos, preste atenção: É a vontade da Prefeitura Municipal asfaltar.
Vocês que não querem o asfalto memorizem estes argumentos e reflitam.
Pra que conservar a história de Jacutinga? Pra que preservar o que sobrou? Quem precisa de cultura neste município? Quem quer saber do patrimônio histórico de Jacutinga? Aliás, o que é patrimônio histórico?
Quer saber mais, acho que depois de asfaltar todas as ruas, a prefeitura deveria destruir a Estação Ferroviária, porque é um patrimônio histórico [estorvo para o progresso] e construir um shopping center no lugar, melhor, construir um estacionamento para ônibus, um estacionamento de três andares bem grande e bonito, de azul e branco, um estacionamento que vai trazer progresso para Jacutinga, vai incentivar o turismo e melhorar o comércio local.
A confissão
O sujeito que se confessa com um padre, pode ser comparado a um bêbado falando de suas desilusões amorosas para um garçom. O garçom finge que se importa com a conversa do bêbado, acena positivamente com a cabeça nas perguntas retóricas, saca conselhos lugar comum, tenta de alguma forma consolá-lo, tudo para que o bêbado vá embora o mais rápido possível, e quando o bêbado vai embora, ele vai aliviado, leve, parece que ele tirou um piano das costas, e promete que não vai mais chegar em casa bêbado.