Prefeitura pretende asfaltar ruas tombadas pelo patrimônio histórico
Em entrevista ao hebdomadário “A Gazeta de Jacutinga”, de edição 4.177 em 2 de maio de 2009, pág. 11, o prefeito municipal Darci de Moraes Cardoso disse que vai continuar investindo no centro da cidade para manter os turistas, disse que vai trocar todo o encanamento de água e esgoto e asfaltar a Avenida Senador Luiz Lisboa, a Praça Delfim Moreira e a Rua Barão do Rio Branco até o cruzamento com a Rua Marechal Deodoro, segundo a mesma entrevista, estas obras serão iniciadas em agosto deste ano.
Qualquer iniciativa de investimento no município é bem vinda, porém, mesmo com a boa intenção do executivo de fazer progresso, o asfaltamento das ruas não é unanimidade entre os jacutinguenses.
Estas ruas calçadas com paralelepípedos são parte da memória de Jacutinga e representam o marco zero do município, além de ser um perímetro tombado pelo patrimônio público.
Nossa reportagem esteve na prefeitura e conversou a respeito deste asfaltamento com o chefe de gabinete do prefeito, Léo Fernandes, este alegou que o asfaltamento das ruas dependem do parecer favorável do Conselho de Patrimônio Histórico.
Falando em nome do executivo, Léo argumentou que o asfalto é necessário para aperfeiçoar o turismo, o trânsito, e para que futuramente seja possível realizar no largo da estação, eventos municipais como a Fest Malhas e o carnaval.
A reportagem conversou com Roberto Moreno, presidente do Conselho de Patrimônio Histórico, Roberto disse que vai se reunir com os conselheiros para deliberar sobre o assunto em questão e adiantou “Se a prefeitura diz que o asfalto das ruas vai trazer economia, vai melhorar o turismo, vai gerar progresso, quem sou eu para discordar. Mas que o asfaltamento vai descaracterizar o centro da cidade e lesar o aspecto histórico de Jacutinga, isso eu não tenho dúvidas”.
Tivemos acesso ao Dossiê de Tombamento da Estação Ferroviária, um livro de 85 páginas, que detalha nos mínimos detalhes os aspectos da Estação, bem como também uma história de Jacutinga, sua cultura, economia e descrições de outros lugares históricos. Transcrevemos alguns pontos que devem ser levados em conta tanto pelo executivo quanto pelos que são favoráveis ao asfaltamento.
Pág. 35 - Delimitação do perímetro do entorno do tombamento
O perímetro de entorno é a definição geométrica do espaço de proteção visual ou urbanística do bem tombado, com a finalidade de preservação de sua visibilidade, fruição física e acessibilidade. Todas as alterações realizadas dentro dessa área deverão levar em conta a visibilidade e a acessibilidade ao bem tombado, não podendo interferir negativamente no mesmo.
O Conselho definiu que o perímetro de entorno será delimitado pelos quarteirões nas laterais da Estação Ferroviária. A delimitação do perímetro de entorno abrange parte do centro de Jacutinga e se dá pelos seguintes pontos:
· Interseção do eixo da Rua Marechal Deodoro, com o eixo da Rua Santo Antônio.
· Interseção do eixo da Rua Santo Antônio, com o eixo da Avenida Senador Luiz Lisboa.
· Interseção do eixo da Avenida Senador Luiz Lisboa, com o eixo da Rodovia MG.
· Interseção do eixo da Rodovia MG, com o eixo da pequena rua que contorna o Trevo de entrada para a cidade e dá acesso a Rua Marechal Deodoro.
· Interseção do eixo da Avenida Brasil, com o eixo da Rua Barão do Rio Branco.
· Interseção do eixo da Rua Marechal Deodoro, com o eixo da Rua Barão do Rio Branco.
Pág. 37 - Justificativa da definição do perímetro do entorno
A delimitação do perímetro de entorno visa impedir que novas construções e/ ou intervenções venham a descaracterizar o bem tombado, permitindo sua visualização e acessibilidade. As modificações que alterem as características desta área deverão ser objeto de aprovação pelo Conselho Municipal com a finalidade de proteger o bem tombado e sua ambiência.
O tombamento da Estação Ferroviária de Jacutinga, bem como todo o perímetro detalhado acima, foi tombado pelo decreto de número 1868/2006, assinado pelo atual prefeito Darci de Morais Cardoso.
Como consta no artigo 2º deste decreto, o bem cultural tombado, não pode ser destruído, mutilado ou sofrer intervenções sem prévia deliberação do Conselho Municipal do Patrimônio Cultural de Jacutinga, e aprovado pelo Setor de Patrimônio Cultural da Prefeitura Municipal de Jacutinga.
A Folha de Jacutinga espera que os conselheiros do Patrimônio Cultural de Jacutinga, deliberem de maneira coerente e responsável sobre a questão do asfaltamento das ruas históricas.
Praça Delfim Moreira; Avenida Senador Luiz Lisboa e Avenida Barão do Rio Branco, ruas que fazem parte da história de Jacutinga