Roberto Moreno deixa o cargo de diretor de cultura, por falta de “interesse e investimento” da Prefeitura
Todos que algum dia já participaram de algum evento, ou já participaram de uma peça de teatro, devem conhecer Roberto Moreno, um jovem ligado dos pés a cabeça com o mundo cultural. Quem não se lembra do sucesso que foi a peça “Cabareta”, pois é, Roberto Moreno esteve por trás deste sucesso , e não é só “Cabareta”, todos os eventos culturais realizados nos últimos 5 anos, teve a participação direta ou indireta de Moreno, desde os desfiles de 7 de setembro, passando pelo FESTJAC até a Semana Cultural.
Roberto Moreno, que era diretor de cultura do município, deixou o cargo na última terça-feira, dia 21, depois de quatro anos e meio de uma atuação impecável, e porque não dizer, tendo que agüentar muitos desaforos da atual administração.
A seguir, os fatores que levaram Roberto Moreno a pedir demissão, pelas suas próprias palavras.
Roberto - Uma série de fatores que foram se acumulando ao longo do tempo, principalmente a falta de verbas, interesse e investimento no Departamento de Cultura. Durante esses quatro anos e meio do governo Darci Cardoso todos os setores da Prefeitura contrataram mais funcionários, a própria Secretaria de Educação e Cultura tem centenas de funcionários trabalhando na Educação como: sub-secretários, professores, diretores, monitores, psicólogos, psicopedagogos, fonoaudiólogo, motoristas, cozinheiras, etc. etc. etc. No entanto, o Depto. de Cultura conta com apenas UM único funcionário, que sou eu, para cuidar de tudo ao que se refere a Cultura do Município! Como artista, posso dizer com segurança que se há um setor da Prefeitura que teve uma melhora não de 100% mas, sim, de 1.000%, esse setor foi a Cultura, e mesmo assim reconheço que ainda estamos engatinhando. Resgatamos a Fanfarra Municipal, introduzimos aulas de violão e criamos o Coral Infanto-Juvenil na Escola Municipal de Música Judith Gobbo, reformamos e digitalizamos a Biblioteca Municipal, criamos os Encontros de Banda, Coral, Fanfarra e Violeiros, criamos o FESTEJAC (Festival Estudantil de Teatro de Jacutinga) que conta com mais de 10 Grupos de Teatro, realizamos campeonatos de Dança, oferecemos gratuitamente Oficinas de Dança, Música e Teatro, levamos Cinema à Praça e aos Distritos, resgatamos a Semana Cultural, criamos os Concertos Natalinos na Praça Francisco Rubim durante todo o Mês de Dezembro, promovemos Concertos Eruditos na Igreja Matriz, fizemos várias exposições de fotos e de pinturas de artistas da Cidade, participamos do Projeto ICMS Cultural do Estado que visa proteger o Patrimônio Histórico e Artístico do Município, fizemos o inventário dos bens culturais materiais e imateriais do Município, etc. Durante anos me desdobrei em múltiplas funções para dar conta do recado: fiz parte do Coral Municipal, apresentei eventos, fui fotógrafo, assessor de imprensa, técnico de som, interpretei vários personagens para apresentar diversos eventos da Educação e da Cultura, montei Cinema ao ar livre – e depois desmontei tudo! – levei a magia dos espetáculos do Cirque Du Soleil, em telão, aos Distritos que vivem à míngua da Cultura, e diversas vezes assumi a faxina de locais que não tinham as mínimas condições para apresentação. A propósito esse é um outro assunto que me deixa extremamente envergonhado: a falta de espaço para a Cultura, pois a Cidade de Jacutinga, uma das mais ricas do Sul de Minas Gerais, não tem sequer um reles auditório para receber seus artistas, tudo tem que ser improvisado no Palácio das Artes, que é um barracão e não tem as mínimas condições técnicas para receber Espetáculos, ou no Clube Lítero, que na verdade é uma danceteria e não uma Casa de Espetáculos. Havia um excelente auditório, onde funcionava o antigo Teatro do Faccio, posteriormente Salão da Criança e Cine-Jacutinga, mas... virou Igreja! Fiz o tombamento da Ex-Estação Ferroviária de Jacutinga e do Painel Poverelo de Assis e criei o Conselho de Proteção ao Patrimônio Histórico garantindo repasse mensal do Estado ao Município, que hoje soma aproximadamente R$ 200.000,00. Diante desse quadro, procurei o Prefeito Darci Cardoso para lhe dizer que apesar de termos tudo a favor, ou seja, a maioria da Câmara e verba do Estado para a Cultura, mesmo assim, esse tem sido o pior ano para a Cultura, e que, efetivamente não havíamos feito nada neste ano, eu disse que a Escola de Música Municipal estava de mal a pior, enfim, comuniquei ao Prefeito a minha insatisfação com a situação precária da Cultura. O Sr. Darci Cardoso, simplesmente e nada cordialmente, respondeu-me que se eu estava insatisfeito deveria passar no Depto. Pessoal e pedir demissão e foi exatamente o que eu fiz. Será que ele teria me tratado da mesma forma há alguns meses atrás, quando ele era candidato à reeleição? Infelizmente, volto a lembrar de uma frase que eu disse há anos atrás, quando eu estava desiludido com a Cultura: “A ÚNICA SAÍDA PARA A CULTURA EM JACUTINGA É A RODOVIA MG 290!”